OpenAI pede novamente ao tribunal para rejeitar processo da Apple sobre segredos comerciais

OpenAI, io Products, e dois ex-colaboradores da Apple, Chang Liu e Tang Tan, entraram recentemente com um pedido no tribunal para que seja rejeitada a ação de violação de segredos comerciais apresentada pela Apple, solicitando a anulação do caso “sem possibilidade de nova ação” (with prejudice). Esta nova moção é vista como uma resposta formal da parte ré à resposta anterior da Apple, levando a uma nova ronda de confrontos legais entre as duas partes.

Contexto do Litígio e Primeira Ronda de Confrontos

Anteriormente, a Apple apresentou uma queixa ao tribunal, acusando Chang Liu e Tang Tan de, após deixarem a empresa, terem obtido ou acedido a informações confidenciais da Apple, e de terem orientado futuros contratados sobre como evitar os sistemas de segurança internos da Apple para levar informações da empresa. Além dos dois ex-colaboradores, a OpenAI e a io Products, de Jony Ive, também foram incluídas como co-réus.

A Apple também solicitou ao tribunal uma ordem de restrição, pedindo que, durante o processo, a OpenAI e outros réus fossem proibidos de aceder, usar ou divulgar as informações exclusivas que alegam possuir, e pediu que a investigação fosse acelerada para esclarecer a extensão da alegada violação, a fim de determinar a aplicabilidade da ordem de restrição.

A parte ré, por sua vez, apresentou uma moção para rejeitar a ação, argumentando que a Apple não conseguiu atingir o limiar legal necessário para sustentar as acusações de violação de segredos comerciais. Eles afirmam que a Apple não especificou de forma suficientemente concreta quais segredos comerciais estavam protegidos, não explicou razoavelmente como qualquer réu teria cometido a violação, e não conseguiu demonstrar os danos ou lesões contínuas resultantes.

A Apple, em sua resposta, rebateu, enfatizando que a queixa já listava claramente os segredos comerciais específicos e as ações de violação, acusando os réus de usarem eventos não relacionados ao caso para fornecer uma explicação superficial de inocência para suas ações. Por exemplo, a OpenAI alegou que Tang Tan manteve documentos de ex-colaboradores da Apple apenas para ajudar a garantir que futuros contratados cumprissem as normas de segurança da Apple; e que Chang Liu acedeu às informações da Apple apenas quando solicitado por um ex-colega.

OpenAI Reitera Pedido de Rejeição da Ação

A OpenAI, no documento mais recente apresentado, reafirmou sua posição anterior e pediu ao tribunal que anule a ação “sem possibilidade de nova ação”, para evitar que a Apple reabra o caso no futuro com os mesmos argumentos. A OpenAI destacou que a resposta da Apple à sua moção de rejeição “não apenas não corrigiu, mas confirmou as falhas fundamentais da queixa”.

A OpenAI enfatizou no documento que, de acordo com a Lei Federal de Proteção de Segredos Comerciais (DTSA), a Apple deve conectar três elementos em relação à mesma informação e ao mesmo réu: quais são os segredos comerciais alegados, por que essa informação é qualificada para proteção, e como o réu obteve, divulgou ou usou indevidamente. No entanto, tanto a queixa da Apple quanto sua argumentação não conseguiram completar essa cadeia lógica. A OpenAI apontou que os segredos comerciais alegados pela Apple ainda são descrições vagas e categóricas, que não podem ser substituídas pela interpretação de advogados em vez de fatos ausentes.

O documento também acusou a Apple de solicitar ao tribunal que “inferisse fatos não especificados na queixa”, citando a Regra 12 das Regras Federais de Processo Civil, que afirma que, embora a regra permita inferências razoáveis a partir de fatos já especificados, “não permite que suposições substituam a falta de atos de violação”. A OpenAI listou vários exemplos de como a Apple presumiu que simples requisitos de contratação eram a obtenção de informações confidenciais, que o download de arquivos antes da entrevista era a divulgação durante a entrevista, que perguntas sobre projetos da Apple eram a obtenção de segredos comerciais, e que acusações envolvendo indivíduos específicos eram extensões para outra pessoa obter ou usar informações relacionadas.

Em toda a resposta, a OpenAI reiterou vários argumentos principais, incluindo: a Apple não conseguiu especificar quais segredos comerciais estavam sendo referidos, a queixa não explicou que a Apple tomou medidas razoáveis para proteger seus segredos comerciais, não conseguiu fazer uma declaração adequada sobre as ações de violação de Chang Liu, Tang Tan, OpenAI ou io Products, e não conseguiu demonstrar danos reais. Além disso, a OpenAI também pediu ao tribunal para rejeitar as alegações relacionadas apresentadas pela Apple com base na legislação estadual.

Com a moção de rejeição da OpenAI, a resposta da Apple e o documento de resposta da OpenAI já apresentados, a fase de alegações escritas da moção está, em grande parte, concluída, e o tribunal realizará uma audiência sobre a moção no dia 1 de outubro. O resultado do litígio dependerá de como o juiz determinará a carga da prova em relação ao limiar legal de violação de segredos comerciais.

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Este artigo é a versão em português de um conteúdo original do TechRitual.
Stein Yep
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