Executivo da CATL destaca a especialização em baterias: fabricar automóveis não é o mesmo que fabricar baterias.

Num evento recente, o Chief Manufacturing Officer da CATL, Ni Jun, expressou uma opinião clara sobre a tendência das empresas automotivas em desenvolver baterias internamente e a entrada de empresas de outros setores no domínio das baterias de potência. Ele afirmou: “Saber fazer carros não significa que se saiba fazer baterias. É necessário que profissionais especializados façam o que sabem fazer.” Ni Jun destacou que existem diferenças essenciais entre as baterias de eletrónica de consumo e as baterias de potência, sendo a exigência de consistência a mais proeminente. Ele mencionou que as baterias de eletrónica de consumo não precisam de consistência, mas as baterias de potência devem ser consistentes. Isto porque um carro contém centenas a milhares de células de bateria, e se estas células não forem consistentes, surgirão problemas.

Os desafios da fabricação de baterias de potência residem na consistência

Ele usou ainda o “efeito do barril” para explicar a particularidade da fabricação de baterias de potência, apontando que fabricar uma bateria de alta qualidade não é difícil, mas o desafio é produzir um bilhão de baterias com qualidade consistente. Mesmo que cada célula de bateria cumpra as especificações em testes individuais, se houver grandes diferenças entre o desempenho, como capacidade, resistência interna e auto-descarga, ao serem combinadas em um pacote de bateria, ainda poderá ocorrer o “efeito do barril”. A autonomia e a vida útil de um carro não são determinadas pela melhor célula, mas sim pela pior.

Ni Jun também fez uma avaliação cautelosa sobre o progresso da produção em massa de baterias de estado sólido. Ele afirmou que a transição de novas tecnologias do laboratório para o mercado requer a resolução sequencial de problemas científicos, técnicos, de engenharia, de produto, de preço e de cadeia de fornecimento, mas atualmente ainda existem muitos problemas científicos que não estão completamente compreendidos. Usou o “interface sólido-sólido” como exemplo, explicando que as baterias líquidas têm eletrólitos, proporcionando um caminho de condução relativamente adequado, enquanto as baterias de estado sólido precisam manter um contato estreito entre o cátodo, o eletrólito sólido e o ânodo. A maioria das abordagens da indústria atualmente aplica uma grande força externa, mas a bateria muda de volume durante o processo de carga e descarga, e uma vez que essa mudança ocorre, esse contato pode desaparecer.

A tecnologia das baterias de estado sólido ainda precisa de mais desenvolvimento

O presidente da CATL, Zeng Yuqun, também expressou preocupações sobre este assunto em várias ocasiões. Em um fórum público em junho deste ano, ele afirmou que, se a maturidade da tecnologia for classificada de 1 a 9, a tecnologia das baterias de estado sólido ainda está no quarto nível, enquanto o nono nível é o marco da maturidade da tecnologia, que permite a produção em massa. Anteriormente, em 2025, ele criticou publicamente as montadoras por exagerarem na promoção do progresso da produção em massa das baterias de estado sólido, considerando que algumas montadoras estavam a enganar o público e os investidores sobre a maturidade da tecnologia das baterias de estado sólido.

Conteúdo original
Este artigo é a versão em português de um conteúdo original do TechRitual.
Stein Yep
Stein Yep