AirTag oculto revela alegações de empresa de IA por escaneamento não autorizado de livros antigos

Recentemente, surgiram pedidos suspeitos de grandes quantidades de livros usados, o que levantou dúvidas entre muitos livreiros, que acreditam que esses livros podem ter sido comprados por empresas de inteligência artificial para serem digitalizados e utilizados como material de treino, sem o consentimento ou pagamento aos autores. Segundo relatos, um livro raro vendido em um desses pedidos em massa continha um AirTag, e essa descoberta parece confirmar a teoria relacionada, uma vez que o livro foi enviado para uma instalação de treino de inteligência artificial da Amazon. Livreiros especializados na venda de livros usados costumam receber pedidos para livros individuais ou pequenas quantidades de livros relacionados. No entanto, recentemente, eles relataram ter recebido grandes pedidos de livros sem uma relação óbvia, o que levantou suspeitas de que esses livros estavam a ser comprados por empresas de inteligência artificial.

Essas empresas podem desmontar a encadernação dos livros e usar equipamentos de digitalização de alta velocidade para extrair texto, que depois é inserido em sistemas de inteligência artificial como material de treino. Tal comportamento, sem o consentimento dos autores e sem o pagamento de quaisquer taxas de uso, é, pelo menos do ponto de vista ético, inaceitável, mas até agora não há evidências concretas que provem isso.

Instalação da Amazon especializada em digitalizar e destruir livros

No entanto, a investigação da 404 Media parece ter mudado esse cenário. Eles colocaram dispositivos de rastreamento em um lote de livros raros para determinar qual empresa de inteligência artificial estava a comprar esses livros, e acabaram por descobrir uma instalação da Amazon que se especializa em digitalizar e destruir livros. Embora o conteúdo do relatório exija pagamento para leitura, a TNW também reportou a descoberta, apontando que o dispositivo de rastreamento utilizado era um AirTag, e os funcionários da instalação confirmaram o processo de operação. Os funcionários descreveram à 404 Media o conteúdo do trabalho: após a chegada de grandes quantidades de livros impressos, os trabalhadores cortam a encadernação para poder digitalizar as páginas mais rapidamente, e esses livros acabam por não ser preservados.

O sinal à porta da instalação é um dinossauro segurando um livro, mostrando os dentes.

Os livros usados são especialmente valiosos, pois qualquer livro publicado após 2022 pode conter texto escrito ou editado por sistemas de inteligência artificial; na verdade, eles podem estar a ser utilizados para treinar a produção de inteligência artificial. Embora os contratos de publicação geralmente proíbam explicitamente os autores de usarem conteúdo gerado por inteligência artificial, é provável que algumas pessoas ainda desconsiderem essa regra. Além disso, os livros auto-publicados também carecem de uma regulamentação eficaz nesse aspecto. Parte do problema é que as leis de propriedade intelectual ainda não acompanharam o desenvolvimento dessa prática. Embora esse tipo de comportamento possa ser considerado ilegal no Reino Unido, uma decisão nos Estados Unidos em 2025, de alguma forma, reconheceu isso como um uso transformativo de material protegido por direitos autorais.

Essa situação sem dúvida levantou preocupações sobre a proteção da propriedade intelectual.

Conteúdo original
Este artigo é a versão em português de um conteúdo original do TechRitual.
Stein Yep
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