Recentemente, investigadores do MIT publicaram um estudo sobre o impacto da inteligência artificial no clima. O artigo aponta que, ao discutir o impacto da inteligência artificial no ambiente, não se deve apenas calcular a energia consumida pelos centros de dados, chips e treinamento de modelos, mas também considerar o crescimento econômico que pode ser impulsionado pela eficiência e redução de custos da inteligência artificial, o que pode levar a uma produção e consumo adicionais, compensando assim parte dos efeitos de economia de energia.
O estudo considera que a inteligência artificial, por um lado, está a aumentar rapidamente a demanda de energia dos centros de dados, e por outro lado, pode ser utilizada em áreas como otimização da rede elétrica, resposta à procura, gestão de sistemas energéticos e eletrificação, existindo teoricamente potencial para ajudar a reduzir emissões. Uma das questões-chave é o “efeito rebote”. Segundo a pesquisa, quando a inteligência artificial aumenta a eficiência da produção, os mesmos produtos ou serviços podem tornar-se mais baratos, permitindo que as empresas realizem mais trabalho a um custo inferior.
O estudo sobre o impacto da inteligência artificial no clima revela potenciais efeitos rebote
Os custos poupados pelos consumidores podem ser utilizados em viagens, compras ou outros consumos, levando, em última análise, a um aumento contínuo da demanda por recursos e energia a nível social. Em outras palavras, um único segmento tornar-se mais eficiente em termos energéticos não significa que as emissões de todo o sistema económico necessariamente diminuam. O estudo também introduziu o conceito de “dívida de carbono da inteligência artificial”, referindo que as emissões resultantes da infraestrutura de inteligência artificial estão a aumentar rapidamente, enquanto os efeitos de redução de emissões gerados pela utilização da inteligência artificial para otimização energética e gestão climática geralmente demoram mais tempo a manifestar-se.
Mesmo que, no final, as soluções climáticas baseadas em inteligência artificial consigam saldar essa dívida, o aquecimento adicional e a degradação climática continuarão durante décadas ou até milhares de anos. Além disso, é importante notar que a neutralidade carbónica não é equivalente à neutralidade climática.

